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segunda-feira, março 10

UM TESTEMUNHO A TODOS OS CATÓLICOS 

AS AVENTURAS DE UMA BÍBLIA










Certa ocasião uma jovem viúva
olhava pela janela de sua casa.
 Ela residia próxima a uma
importante praça da cidade
de Dublin. A sala estava elegantemente
mobiliada, tudo respirava conforto e
até opulência, porém aquela
 mulher parecia ser infeliz.
A senhora Blake era uma católica
 romana fervorosa, que praticava
o seu credo conscientemente,
mas, nos últimos tempos sentia-se
 pesarosa de espírito por ter praticado
muitas coisas hediondas na vida.
As práticas religiosas, penitências,
orações, nada lhe traziam qualquer
 satisfação. Não podia livrar-se do pesado fardo.
Ela havia contado sua mágoa ao
seu confessor. Seguindo as suas
 ordens, encarregara-se de praticar
 várias obras de caridade; porém,
embora parecendo ser interessante,
a sensação pecaminosa pesava
 mais e mais em sua alma. O
confessor era um padre muito jovem,
 agradável e atraente. Ele deu-lhe
 plena absolvição dos pecados,
todavia não trouxe nenhuma consolação.
Um dia, estando ela meditando,
bateram à porta. Antes que tivesse
tempo de conciliar os pensamentos,
o padre entrou na sala. “Que poderei
fazer para levantar o seu espírito e
 remover essa triste expressão do
seu rosto?”. “O senhor é tão amável
e tem feito tudo o que está ao seu
 alcance, porém o peso de que lhe
falei continua oprimindo a minha alma”.
 “Escute”, disse ele, “já resolvi o que
deves fazer. Há um homem que vem a
Rotunda amanhã e que é capaz de lhe
fazer sorrir e torná-la feliz. Vá ouvi-lo”.
 “Senhor padre!...” “Não! Nenhuma palavra!
Não admito desculpa. Ordeno-lhe que
 vá; tem mesmo que ir”.
O padre explicou que um famoso
ator cômico, bem conhecido naquela
 época, ia apresentar-se a um público
elegante e que, em sua opinião,
isso seria a melhor coisa para ela.
Não valia a pena protestar. Ela não
 poderia desobedecer ao seu
conselheiro espiritual. Ele já estava
 lhe trazendo uma entrada gratuita
para o espetáculo. E assim, na tarde
 do outro dia, a senhora Blake dirigiu-se
 ao local indicado, onde grandes
cartazes anunciavam o espetáculo.
Ela tinha que ir; fora-lhe ordenado
que fosse.
A Rotunda, como todos os cidadãos
de Dublin sabem, tem sob o seu
 telhado mais de um salão público.
Ali há um grande coliseu, o salão
 das colunas e mais uma ou duas
 salas. Além disso, também há
diferentes entradas. O que aconteceu
 foi que a senhora Blake se enganou
na entrada para o espetáculo. Em
vez de seguir a multidão que
 adentrava para um determinado
 recinto, ela notou uma pequena
 fila de pessoas dirigindo para um
 outro lugar. Seguiu-a e encontrou-se
num dos salões menores, e ali esperou.
Estranhou que ninguém lhe pedisse
a entrada. Pensou que mais tarde
poderia retificar esse fato. Não teve
 muito tempo que pensar, pois logo
levantou-se um cavalheiro que apareceu
 anunciando um hino e de repente ela
lembrou-se que havia cometido um
lamentável erro, entrando pela porta
 errada. Na verdade, o que se realizava
ali era um culto protestante. Por ser
 muito tímida e sensível, sair daquele
lugar, à vista de toda aquela gente,
se tornou numa impossibilidade. Que fazer?
 Resolveu retirar-se no fim do hino, sem
 que chamasse a atenção das pessoas.
Foi o que ela tentou fazer. Em sua
preocupação de sair o mais depressa
possível, seu guarda-chuva cai
 ruidosamente de tal forma que muitas
 pessoas se viraram para trás para
ver o que tinha acontecido. Aterrorizada
 com o incidente, deixou-se cair numa
cadeira e quase desejou sumir pelo
chão adentro.Seguiu-se um profundo
 silêncio e então uma voz, a do cavalheiro,
 elevou-se em oração. Ela não pôde
 deixar de escutar, pois nunca até
aquele dia ouvira coisa semelhante.
 Era tão diferente das orações que
 havia em seus livros de devoção.
Aquele homem, tão reverente,
parecia muito feliz enquanto orava.
Tudo aquilo a impressionou muito.
A oração terminou e o orador
anunciou a leitura de uma passagem
da Escritura sobre “o perdão dos pecados”.
De todos os assuntos do mundo,
era justamente aquele que ela mais
desejava ouvir. Viesse o que viesse
 agora, não se importou no que o
 seu confessor iria dizer. Podia ele
 fazer o que quisesse, ela haveria
de ouvir aquilo.Dos primeiros dezoito
 versículos de Hebreus, dez foram lidos.
O orador, de uma maneira simples,
expôs o ensino, até que tudo ficou
claro como água cristalina. O único
 sacrifício, oferecido uma vez, o
 perdão livre e pleno concedido
àqueles que o pedirem em nome
 de Jesus – tudo ilustrado com várias
 outras passagens do Novo
Testamento formou o assunto daquela
pregação. E tal como o solo ressequido
 embebe as chuvas de verão, assim
 aquela pobre alma recebeu a verdade
 maravilhosa! Nunca, até então, havia
escutado semelhante mensagem! O
orador terminou e após outra oração
 a reunião foi concluída.
A senhora Blake sentiu que essa
era uma oportunidade única em sua
 vida. Enchendo-se de coragem dirigiu-se
 à extremidade do púlpito e perguntou
ao pregador de quem eram as palavras
 lidas. Surpreendido com tal pergunta,
 ele desceu e foi logo abordado com
 muitas inquirições que se ofereceu
 para escrever algumas referências
 bíblicas, a fim de que ela pudesse
 estudá-las em casa. Quando soube
 que aquela senhora não possuía
 Bíblia, interessou-se sobremaneira
por aquele caso.“Eu vou emprestar-lhe
 a minha Bíblia”, disse ele. “Queira ler
 as passagens sublinhadas nas páginas
que dobrei. Agradeceria muito se me
devolvesse o Livro daqui a alguns dias.
 Ele é a coisa mais preciosa que possuo”.
A senhora Blake agradeceu-lhe muito
e foi depressa para casa, cheia de
 alegria em seu coração, com uma
nova luz em seus olhos. Como se
sentia diferente! Não era mais aquela
 criatura que há algumas horas antes
dera na direção da Rotunda!
Nos dias seguintes ela se esqueceu
de tudo, suas tristezas, seu fardo.
Menos do seu tesouro. Leu e releu
as passagens indicadas e também
muitas outras. A luz brilhou no seu
entendimento. O peso de espírito
rolou para um túmulo aberto. A paz
de Deus encheu seu coração. Afinal
chegou o momento de devolver a Bíblia.
Mais uma vez estava ela entregue ao
 seu novo estudo e de tal maneira
absorvida nos pensamentos que
não percebeu o toque da campainha.
Alguém entrou na sala subitamente!
Era o confessor! Ele estava ali,
diante dela, lhe observando! Ele
reparou logo em duas coisas: o seu
 gesto de embaraço e ao mesmo
 tempo uma serena placidez no seu
 olhar, como ele nunca tinha visto.
 “O que aconteceu?”, perguntou ele.
“Eu nunca soube se aquele espetáculo
 lhe agradou ou não, e, como não a
vi no domingo passado, pensei
 que estava doente”.
Tomada de surpresa pelo inesperado
 acontecimento, a senhora Blake
perdeu o seu autodomínio. Era sua
intenção manter esse assunto em
segredo, pelos menos durante
 algum tempo. Mas agora não se
 conteve, e com a simplicidade de
 uma criança contou a história toda:
o engano do salão, a tentativa de
 evadir-se, as palavras ouvidas, o
 Livro emprestado, e no fim de tudo
a alegria e a paz que enchia o seu coração.
Ela falava com os olhos postos no
chão; porém ao levantá-los, sentiu
o espírito gelar-lhe de terror ao ver
 o olhar do homem que estava à sua
frente. Era cheio de raiva. Nunca até
 então ela havia visto semelhante
 fúria expressa num semblante.
“Dê-me esse livro!”, disse ele rispidamente.
 “Ele não me pertence!”, exclamou
ela tentando em vão detê-lo. “Dê-me!”,
foi a resposta; “senão perderá
eternamente a sua alma. Esse
 herege por pouco a lança no inferno.
E nunca mais, nem ele nem a senhora,
 hão de ler este livro”.Agarrando a Bíblia
enquanto falava, meteu-a violentamente
 no bolso, lançando um olhar terrível
para a mulher e saiu apressadamente da sala.
Ela sentou-se paralisada. Ouviu a
porta fechar-se e lhe pareceu que
alguma coisa no seu coração também
 se fechava, deixando-a aterrorizada.
Aquele olhar terrível a perseguia por
 onde andava. Somente os que nasceram
e foram criados na igreja romana conhecem
o horror indescritível que a concepção do
 poder dos sacerdotes pode inspirar. Mas,
 logo em seguida, ela pôs-se a pensar
 também no orador que tinha lhe emprestado
a Bíblia. O seu endereço estava lá escrito,
 mas era impossível lembrar-se dele e
não sabia para onde escrever. Isto era
 muito triste!Os dias foram passando
lentamente, e o seu visitante, outrora
 sempre bem-vindo e atualmente tão temido,
 não voltara mais. Ia renascendo a
coragem e por fim passados uns quinze
 dias ou mais, ela resolveu aventurar-se
para fazer uma visita ao padre. Era
 necessário fazer um enorme esforço
para reaver o Livro e restituí-lo ao
seu legítimo dono.
O padre, por nome João, vivia a certa
 distância e a casa dele ficava junto
 a um convento no qual ele era professor.
 A senhora Blake dirigiu-se para lá e
bateu à porta. Uma freira a atendeu.
A freira ficou visivelmente sobressaltada
 ao ver a senhora Blake. Ao ouvi-la
perguntar pelo padre os seus olhos
chamejaram por um momento. Imediatamente
 seu rosto ficou rígido e o seu gesto frio.
Disse: “Sim, o senhor padre João está
em casa. Ele está no quarto. Não
quer entrar e vê-lo?”.
A freira a empurrou até o quarto e
assim que a senhora Blake entrou,
ela sobressaltou-se! O corpo inerte
do padre João estava num caixão! Morto!
Antes que ela voltasse a si do choque,
 a freira sussurrou nos ouvidos estas
palavras: “Ele morreu amaldiçoando-a.
 A senhora deu-lhe uma Bíblia e ele
encarregou-me de lhe dizer que a
 amaldiçoava; sim, amaldiçoava-a no
seu último alento. Agora vá embora!”
 Antes que ela tivesse tempo de se
aperceber do que tinha sucedido,
encontrou-se na rua, com a porta fechada atrás de si.
Várias semanas transcorreram. O
 perfume da primavera passou sobre
 a terra, despertando folhas e flores
à vida e à beleza. Uma tarde estava
a senhora Blake ponderando nos
acontecimentos dos últimos meses.
 Alegrou-se mais uma vez pela alegria
de estar perdoada. Ela havia
comprado uma Bíblia para as
 suas leituras diárias. Os velhos
 erros em que havia sido educada
tinha-os renegado, um por um. Mas
 havia em seu coração um certo
desgosto que não podia apagar.
Como era triste, muito triste, a
breve enfermidade do padre e a
 sua morte repentina! O seu último
 olhar! As suas últimas palavras!
Aquela terrível mensagem!
Por que havia ela de ter sido tão
 abençoada, levada ao abrigo da
paz, cheia de alegria celestial, e
 ele, sim, porque não teria as
mesmas palavras bíblicas
 produzido igual mensagem a ele?
 Por que será, pensou ela, que um
 Deus tão bom, cheio de amor,
permitiu isto? Naquele momento a
 criada fez entrar na sala uma senhora.
Aquela senhora estava coberta
com um véu espesso. Ela estava
 irresoluta. Antes que a senhora
Blake pudesse falar, a mulher disse:
 “A senhora não me conhece com
esta roupa, mas vai ver daqui a
pouco quem sou eu”, disse ela
 levantando o véu e mostrando
o rosto da freira que lhe entregara
 a mensagem de maldição. A
senhora Blake recuou um passo,
 perguntando a si mesma o que viria
 ainda a acontecer, mas a sua
visitante acalmou os seus temores,
 e prosseguiu: “Tenho duas coisas
a dizer-lhe e vou ser muito breve,
 pois estou com pressa. Em primeiro
 lugar peço-lhe que me perdoe a
 horrível mentira que lhe disse
naquele dia. Eu já pedi perdão
a Deus. O padre João morreu
abençoando-a de todo o seu coração.
No dia anterior ao da sua morte,
 ele encarregou-me de lhe dizer
que ele mesmo também tinha
encontrado o perdão por meio
 daquele Livro e que, através da
 Eternidade, ele a abençoaria por
ter a senhora levado a ele o
conhecimento do Salvador.
E agora a senhora perdoa-me,
sim?” “Pois não! E do fundo do
meu coração”, retorquiu a senhora
 Blake espantada. “Mas porque a
 senhora disse aquilo?”. “Porque
eu a odiava. Eu amava o meu
confessor e odiei a senhora por
 ter-lhe mandado para o inferno,
segundo eu cria. Agora ouça:
eu senti enorme desejo de ler
aquilo que o padre João tinha lido.
Depois do funeral não pude resistir
a curiosidade de examinar o Livro.
Fiquei fascinada e li mais e mais,
até que eu também encontrei perdão
 e paz no meu Salvador. Há várias
 semanas estudo a Bíblia e agora
ela está aqui. Por tudo isto, esta
 tarde fugi do convento e vou partir
para a Inglaterra esta noite, mas senti
 que devia vir aqui restituir a Bíblia e
dizer-lhe que eu também durante toda
 a minha vida a bendirei por me ter
ensinado, através deste Livro, a
maneira de encontrar o perdão
dos meus pecados. Adeus! Deus
 a abençoe! Vamos nos encontrar
 no Céu!”
Uma breve despedida e a mulher
saiu para fora da casa, desaparecendo.
Afinal de contas, seria tudo um sonho?
Agora uma pequena Bíblia achava-se
 sobre a mesa, diante da senhora
 Blake. Não, não era um sonho,
mas sim, uma gloriosa realidade.
Aquele Livro pequeno, sem ter uma
 voz viva para expor os seus ensinos,
naqueles dois casos tirou três almas
 preciosas das trevas e
 transportou-as para a Luz.
Há de se imaginar como ficou o dono
da Bíblia ao ser-lhe restituída,
com esta maravilhosa história!
Contudo, o que disse Aquele que
 enviou a Palavra a desempenhar
a sua missão?: “Assim será a
minha palavra que sair da minha
 boca; ela não tornará para mim
vazia, antes fará o que me apraz
 e prosperará naquilo para que a enviei”, Is 55.11. (J. H. Townsend, A Seara, CPAD).

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